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    <title>Sobre o blog</title>
    <link>http://www.thecarioca.blog.br/The_Carioca/The_Carioca/The_Carioca.html</link>
    <description>Meu nome é Flávia Ruiz. Jornalista, carioca e viciada em observar e escrever, resolvi criar um blog sobre o Rio, seus habitantes e seu cotidiano com uma visão bem particular. Estou me divertindo de montão. Desejo o mesmo aos visitantes. &lt;br/&gt;No twitter: FlaRuizPerez.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;NOVIDADE&lt;br/&gt;Para ter um canal de comunicação direta, mas privada, com o leitor, criei um e-mail só para o blog. Escreva para mim : flaviaruiz@thecarioca.blog.br&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Meus Favoritos&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;On Line - Resisti por muito tempo, mas não é que o facebook tem o seu papel? Você encontra toda a sua família por ali, os amigos, colegas de milênios atrás... Bom, tem gente que exagera e bota a vida toda ali, com direito a fotos de tudo o que faz desde o momento em que abre os olhos de manhã, mas, como tudo na vida, cada um no seu estilo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Livro - Danuza Leão é minha dica. Qualquer coisa dela. Eu já li três livros de sua autoria e devorei todos com igual rapidez. O último dela, “É tudo tão simples”, faz parecer que é simplérrimo mesmo escrever com tanta graça. Coisa de gente com talento de verdade. Uma delícia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Música - Chico Buarque, por favor. Na veia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cinema - “A dama de ferro” teve algumas críticas por aí nem tão entusiasmadas, mas eu fui conferir e adorei. Desde o primeiro segundo você esquece que é a Meryl Streep e acredita piamente naquela velhinha que fica indo e vindo no tempo e nas memórias.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Lugar - As livrarias do Rio estão cada vez melhores. A Livraria da Travessa (qualquer um delas) é o lugar onde eu gosto de me perder por horas se for possível.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
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      <title>Barbie Girls</title>
      <link>http://www.thecarioca.blog.br/The_Carioca/The_Carioca/Entradas/2012/5/15_Barbie_Girls.html</link>
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      <pubDate>Tue, 15 May 2012 10:02:51 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.thecarioca.blog.br/The_Carioca/The_Carioca/Entradas/2012/5/15_Barbie_Girls_files/DSC01714.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.thecarioca.blog.br/The_Carioca/The_Carioca/Media/object002_2.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:162px; height:215px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Você se lembra da propaganda do primeiro sutiã? Deve lembrar. Bom, ao menos se você tem mais de trinta anos. Se não, entra no You Tube com essas palavras e aposto que você encontra. Era assim: a menina chegava em casa um dia e encontrava um presente em cima da cama, ela abria e, uau, era um sutiã. Ela vestia e ficava encantada se olhando no espelho. Depois, ao sair na rua, era finalmente notada pelos rapazes e se sentia uma moça! A menina em questão aparentava ter lá seus quinze anos e tinha, de fato, seios. Desculpe, isso foi uma descrição desnecessária? Talvez fosse, na época do comercial. Mas hoje é essencial. Corta.&lt;br/&gt;    Outra cena: entro eu num consultório com minha filha de seis anos, toda prosa com sua calcinha de moranguinhos. Bom, ela feliz com a fofura da calcinha e eu, mais do que feliz de não ser mais fralda (eu leio e leio histórias de mães que choram de nostalgia quando compram o último pacote das ditas cujas e juro que não entendo. Minha frase de ordem pra tudo quanto é apetrecho de bebesinho é “já vai tarde”). Daí, de repente, entra na sala uma amiguinha dela, com sete anos, completados dias antes, também muito prosa com sua calcinha e - pausa - sutiã.&lt;br/&gt;    “Olha tia”, ela disse, “eu agora uso sutiã”.&lt;br/&gt;    E eu não pude me conter. Me inclinei pra ela e falei:&lt;br/&gt;    “Será que a gente pode trocar então? Porque eu daria qualquer coisa pra não ter que usar por um bom tempo... Vamos fazer assim, eu te empresto os meus peitos. Que tal?”&lt;br/&gt;    A menininha morreu de rir. Achou a maior graça. E, fosse possível o que eu estava propondo, aposto que ela aceitaria. Por que, eu me pergunto, por que? Em que planeta ficou estabelecido que é mais legal ter um pedaço de pano de amarrando por baixo da blusa e um par de bolas de gordura e glândulas dentro dele do que correr, pular e se jogar de qualquer jeito sem medo de ser feliz, morrer de dor ou, pior, de vergonha? Bolas de gordura adoram pular, veja bem. Normalmente, pra fora - uma coisa pras novatas pensarem antes de encarar as ondas do mar numa praia como faziam quando pequenas.&lt;br/&gt;    Fiquei olhando aquela menininha e pensando... Eu a conheço desde um aninho de idade, ou seja: um bebê. E nesses anos eu rapidamente a vi passar das fraldas para as unhas pintadas, maquiagem, bolsas de mão e namoro sério. Sério mesmo. Há cerca de dois anos ela namora um menino um ano mais velho com quem conversa sobre o casamento deles, os nomes dos filhos que vão ter, o lugar onde vão morar... De vez em quando eles combinam encontros no fim-de-semana e os pais têm que rebolar pra levar o casalzinho. Não acredita? Tudo bem, eu também não acreditaria se ouvisse a história, mas é a mais pura verdade. E, se seus problemas em aceitar a existência real dessa menina forem muito grandes, eu sugiro que você olhe à sua volta. Por todo lado, tudo o que vejo são meninas “travestidas” de mulheres. Muitas delas usando mais maquiagem e acessórios do que eu mesma uso no mais exagerado dos meus dias.&lt;br/&gt;    “Sempre foi assim, minha filha. Quando eu era criança eu só fazia sonhar em ficar grande e usar as roupas e maquiagens das maiores”, minha mãe me disse, diante do assunto.&lt;br/&gt;    Ok, ok, sempre existiu. Minha avó sempre me conta que esperava ansiosa fazer quinze anos para ter permissão de usar batom (só batom, veja bem, e era para dias de festa). Minha mãe ficava sonhando também. Eu, vez por outra, quando ninguém estava olhando, brincava de subir nos saltos e vestir as roupas e usar a maquiagem. Em todas as gerações a gente sonhava, brincava, fantasiava... Mas essas meninas de agora fazem mais: elas vivem isso. Enquanto para nós era muito claro que tudo não passava de brincadeira eventual e nunca nos passaria pela cabeça sair desse jeito porta afora para ir à escola, ao médico, ao balé; para elas faz parte da rotina.&lt;br/&gt;    Isso é um problema? Não sei. É um fenômeno novo. E como tal, pode muito bem estar causando desconforto pelo simples fato de que o ser humano, por alguma razão, gosta de manter as coisas como as conhece. Mas, sei lá, na ausência de dados específicos, eu gosto de recorrer à lógica natural das coisas. Foi assim que eu decidi que não era uma boa idéia saltar de para-quedas. Tem alguma coisa fundamentalmente errada em um ser que não pode voar, mas sabe que é mortal, querer se jogar de um avião só pra sentir a adrenalina que vem com a sensação de morte iminente. Da mesma forma, se a infância é feita para fantasiar e brincar e simular situações, na busca pelo preparo para vivenciar o real mais tarde, parece ter alguma coisa errada também em pular direto para a última etapa. Sem isso, sem a graça de ser criança, essas meninas acharão graça em ser adultas?&lt;br/&gt;    Once again, não sei. Mas confesso que fico aliviada de ver que minha filha não liga pra nada disso. Que o máximo da vaidade pra ela é se ver no espelho de maria-chiquinha! Por outro lado, me dá uma tristeza, uma tristeza enorme quando vejo essas mini-adultas por aí com suas bonecas... É que, me dei conta: antigamente eu entrava numa casa onde moravam meninas e tinha sempre aquela brincadeira de boneca espalha pelo chão. Casas, carros, lojinhas, tudo ali montado e as bonecas fazendo os papéis através das mãos e vozes de suas donas. Tinha até briga entre bonecas (eu, minha irmã e minha prima temos é história com isso)! Agora, nada. Tudo que vejo são imensas coleções de bonecas enfileiradas em prateleiras ou passeando na mão de meninas como se fossem pequenos troféus de coleção. Elas são muitas e tem mais roupas e enfeites do que nós poderíamos sonhar vinte, trinta anos atrás, mas não tem vida. Elas não fazem nada. E por que fariam? Elas podem ficar na prateleira. As meninas andam por aí no lugar delas.</description>
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      <title>A mãe e a culpa</title>
      <link>http://www.thecarioca.blog.br/The_Carioca/The_Carioca/Entradas/2012/5/11_A_m%C3%A3e_e_a_culpa.html</link>
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      <pubDate>Fri, 11 May 2012 10:28:57 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.thecarioca.blog.br/The_Carioca/The_Carioca/Entradas/2012/5/11_A_m%C3%A3e_e_a_culpa_files/FSM_4149.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.thecarioca.blog.br/The_Carioca/The_Carioca/Media/object001_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:234px; height:176px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;O dia das mães se aproxima e parece que este é o único assunto na face da Terra - e em outros planetas, possivelmente. Não que a data em si me diga alguma coisa. Sorry, mães carentes desse mundo, mas esta mãe que vos fala não dá a mínima. Eu dava como filha. Mas, engraçado, depois que virei mãe, eu vivo esquecendo. Nunca sei em que dia vai cair, o que vou fazer e não associo a data com homenagens à minha pessoa. Minha filha me abraça, me beija e me olha como se eu fosse uma fada todos os dias. Da mesma forma, faz malcriação, me desobedece e me olha como se eu fosse uma bruxa com a mesmíssima frequência. Datas são desnecessárias.&lt;br/&gt;    Mas, anyway, por uma coincidência do destino, nos últimos dias parece que toda conversa que eu tenho com outras mulheres gira em torno da maternidade e se tem uma palavra que fica pairando por aí associada a ela esta palavra parece ser “culpa”. E aí eu me sinto isolada do bolo totalmente. Eu já sou uma mãe que esquece dia das mães, eu ainda tinha que ser a única que nunca sentiu culpa? Pois é, gente, nun-ca. Quer dizer, nunca senti culpa como mãe, porque esse sentimento em relação a outras coisas eu conheço muito bem.&lt;br/&gt;    Por exemplo: eu sempre morri de culpa quando ficava perdendo tempo com alguma besteira em véspera de prova em vez de estar estudando. E culpa de comer demais? Gente, é uma coisa horrível. Você sabe que não deve comer mais aquele bombom ou aquele segundo pedaço de bolo ou aquele saco imenso de pipoca; sabe que vai tudo parar no tecido adiposo e sabe que vai chorar quando subir na balança, mas come assim mesmo e fica com uma culpa mais pesada que um elefante.&lt;br/&gt;    Também tem a culpa de sentir coisas, digamos, inapropriadas. Sabe aquela coisa de ter um namorado mas ficar de pernas bambas quando encontra um outro? E sonha com o outro e fica com dor de barriga só de ouvir o nome desse outro... Eu não sei vocês, mas eu nunca poderia lidar com uma culpa desse tamanho. Nunca, nunca, nunca traí ninguém (nem o namoradinho do jardim de infância), meu coração é careta demais pra se dividir e quando essa situação me aconteceu, na adolescência, eu fui lá e terminei o diabo do namoro pra não conviver mais com culpa de uma coisa que só acontecia na minha imaginação.&lt;br/&gt;    Agora, como mãe, nada. Eu fico frustrada, feliz, cansada, orgulhosa, preocupada, irritada, surpresa, tudo, menos culpada. E eu passei anos (minha filha já vai fazer sete, veja bem) refletindo sobre as causas disso e acho que cheguei a um ponto interessante. Me dei conta de que culpa é uma coisa que acontece quando a gente sabe que deveria estar fazendo uma coisa mas está fazendo outra. E os motivos, my friends, nunca são bonitos. Preguiça, egoísmo e gula costumam estar entre eles. Então fica uma coisa difícil de levar mesmo.&lt;br/&gt;    Por isso, eu não tenho culpa de mãe. Não porque eu seja a melhor nesse papel. Mas porque eu sou a melhor que eu posso ser. Eu falho? Eu erro? Muito. Tremendamente. Mas quando isso acontece é porque eu absolutamente não tinha o conhecimento necessário numa certa situação ou porque eu estava além das minhas forças ou ainda não tinha conseguido pegar o jeito pra realizar uma certa tarefa. E aí, tudo bem. Na verdade, tudo ótimo. Porque eu acredito que assim como as grandes belezas dependem de alguns defeitos (o que seria da Gisele sem seu nariz grande, da Julia Roberts sem a boca imensa e os dentões, do Richard Gere sem aqueles olhinhos bem pequenininhos?), uma trajetória de vida exuberante depende de falhas. Aquele tombo que a criança leva porque a mãe não chegou a tempo de segurar, aquele atraso na festinha da escola porque tinha um engarrafamento no meio do caminho, aquele grito que você não queria dar mas seu filho te encheu tanto que você saiu do sério... Coisas que vão fazer parte do repertório de lembranças de um filho que, assim, vai perceber que faz parte da experiência humana ser imperfeito, vulnerável, cheio de limitações e por isso mesmo, em paradoxo, beautiful. &lt;br/&gt;    Então, mães neuróticas desse mundo, antes de começar com esse negócio de culpa culpa culpa, pensem se realmente há razão pra isso. Está fazendo o seu melhor dentro dos seus limites humanos e individuais? Então relaxa. Viva a vida. Largue os manuais. Abrace o urso. E pare de acreditar nessas mães de revista porque ali tudo tem edição de texto e photoshop. Com certeza nem elas acreditam no que lêem ali sobre elas mesmas. Mãe real é diferente. É múltipla, dinâmica, feia e linda ao mesmo tempo. A fada e a bruxa. Sem culpa.&lt;br/&gt;</description>
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      <title>Taxi</title>
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      <pubDate>Wed, 11 Apr 2012 09:39:56 -0300</pubDate>
      <description>Deixe-me ser clara antes de começar: detesto andar de taxi. Uma questão de “sociofobia”, digamos, apenas. Porque, veja bem, eu adoro, adoro gente, mais do que tudo, só não muito perto de mim. Especialmente esse tipo de perto porque, sei lá, eu entro no taxi e fico pensando que eu estou ali sentada dentro de uma máquina potencialmente mortífera, pilotada por um sujeito que eu nunca vi, não sei se sabe dirigir direito, se bate bem da bola (e, estatisticamente, a maior chance é que não bata não) ou se tomou uma biritinha qualquer antes, logo antes, de eu entrar no seu fatídico carro, e eu vou deixar o assunto por aqui porque, apesar de eu ter várias outras questões nesse assunto, eu noto que quando eu falo deles todo mundo começa a me olhar como se eu fosse o cara do filme “Melhor é Impossível”. &lt;br/&gt;    Mas, falando sério, eu, podendo, prefiro mil vezes andar a pé por aí ou, se a distância exigir, entrar num metrô cheio de gente - o que significa, obviamente, que eu vou estar sozinha em meio a um maravilhoso mundo de anonimato. Mas, às vezes, eu estou com a minha filha e está chovendo e ela está atrasada para um dos seus muitos compromissos (a vida aos seis anos é de agenda muito apertada, note bem) e, aí, não tem jeito. Eu pego. Mas só os da companhia que eu sempre uso. Ponto. Todo maluco tem seus limites. E aí, como a situação é inevitável eu, confesso, me divirto de montão. Porque, darlings, taxi, ao menos no Rio de Janeiro, não é um meio de transporte simplesmente, é um universo à parte, habitado por um tipo de ser curioso cuja menor das tarefas é dirigir.&lt;br/&gt;    Eu já vi de tudo. E de todos.&lt;br/&gt;    Por exemplo, já peguei vários taxistas que adoram dar uma de noticiário ambulante. Tipo jornalista frustrado. Ou trombeta do apocalipse. Sim, porque, por alguma razão, eles só gostam de comentar as notícias catastróficas e, na falta de alguma, interpretam notícias corriqueiras como algum tipo de teoria da conspiração. Na época da gripe suína foi uma festa.&lt;br/&gt;     - O negócio é o seguinte, moça: eu fui lá num posto tomar a vacina de gripe normal que eu tomo todo ano, né, porque sou idoso, mas aí a enfermeira lá me veio com essa de tomar a vacina nova e eu disse “como assim? Essa é daquele negócio do porco? Não, não, não. Não tomo nada de negócio de porco não. Já me chega a vez que eu tive uma intoxicação lá horrível por causa de carne de porco e ainda dizem que tem um troço que dá no cérebro por causa de porco. Nada de porco.” E não tomei, não, moça. Eu, hein, não sou bobo nem nada.&lt;br/&gt;    Eu sorri e disse um “é” reticente. Fazer o quê? Dizer o quê? Meu ponto de descida estava a poucos metros, com a graça do Senhor.&lt;br/&gt;    Aliás, falando em Senhor, tem os taxistas religiosos, que são de vários tipos. Católicos, evangélicos, espíritas, flamenguistas, vascaínos, e por aí vai. O rádio e a decoração sempre acompanham o objeto de devoção e, nesse caso, é melhor rezar pro sujeito não gostar de conversa - a menos que você goste de ser convertido a coisas diversas em meio ao engarrafamento.&lt;br/&gt;    E os taxistas do tipo sabe-tudo? Conselho: não fale com eles nada além do necessário. Outro dia um deles me ofereceu uma revista. Eu, polidamente, recusei explicando que não posso ler em movimento porque fico nauseada. Pois o sujeito foi da Tijuca ao Grajaú tentando me convencer de que esse negócio de enjoar em carro é psicológico. Deu até vontade de pegar a revista. Ele ia ver um bocado de psicologia espalhada na parte de trás do seu amarelinho.&lt;br/&gt;    Agora, bom mesmo, é o “taxista orgânico”. Ou seja, o puro sangue. Aquele que ama o taxi sobre todas as coisas e fala disso com o maior entusiasmo. Fala e escreve. Tipo: dia desses entrei em um impecável. Não, sério, dava pra lamber qualquer parte do carro sem susto. Só tinha um problema: o banco de trás estava molhado. De ponta a ponta. De uma maneira que só podiam ter sentado ali três pessoas com trajes de banho encharcados por baixo da roupa. E eu mexia pra lá, mexia pra cá, até que me conformei a sentar na pontinha e ir agarrada no banco da frente pra não atravessar o parabrisas na primeira freada. O taxista ficou me olhando esquisito, óbvio, de modo que tive que explicar. Ele ficou maluco da vida e foi o caminho todinho resmungando:&lt;br/&gt;    - Como é que pode uma pessoa fazer isso? Falta de educação... Quem será que foi?... Ah, teve aquelas duas senhoras... Não. Depois foram aqueles três naquela rua... Pode ter sido...&lt;br/&gt;    Eu não sei se ele descobriu quem foi que maculou seu lindo carrinho, mas entendi, finalmente, o motivo pelo qual um certo taxista gritou pra uma passageira paulista, atônita, a seguinte pergunta, antes dela entrar no carro, em Copacabana:&lt;br/&gt;    - Tá molhada?&lt;br/&gt;    Gente, no Rio de Janeiro tem que perguntar, né?&lt;br/&gt;    Pois é. Evidentemente aquele taxista não perguntou. E eu fui agarrada no banco da frente, o caminho todo, por causa disso. Estava muito chateada com a situação até prestar atenção num papel preso com contact na janela, à minha direita. Era uma lista de “mandamentos do taxi”. Assim:&lt;br/&gt;    Não comer.&lt;br/&gt;    Não beber.&lt;br/&gt;    Não fumar.&lt;br/&gt;    Não tomar sorvete (porque, aparentemente, tomar sorvete não pode estar incluído nas categorias comer e beber).&lt;br/&gt;    Não colocar os pés no banco.&lt;br/&gt;    Não lixar as unhas (ã?).&lt;br/&gt;    Não pentear os cabelos (ã? ã?)&lt;br/&gt;    Não entrar com rádio ligado (e aqui eu daria um outro “ã?”, não tivesse eu visto um grupo, outro dia, entrar no metrô com um rádio enorme tocando funk no último volume. Nem me pergunte se alguém começou a dançar, se é que se pode chamar aquilo de dança...).&lt;br/&gt;    E aí, quando eu já estava esperando um item do tipo: “não respirar fazendo barulho”, a lista acabou. E eu entendi por que, de todos os taxis do Rio de Janeiro, aquele é que tinha sido carimbado por passageiros encharcados. Pô, gente, não estava na lista! Naquele dia. Porque tenho certeza de que, no dia seguinte, estaria. Junto com os itens “não espirrar”, “não tossir” e “não escrever sobre a minha insanidade num blog”. Sorry, agora já foi.&lt;br/&gt;</description>
    </item>
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      <title>Mijar é crime?</title>
      <link>http://www.thecarioca.blog.br/The_Carioca/The_Carioca/Entradas/2012/3/12_Mijar_%C3%A9_crime.html</link>
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      <pubDate>Mon, 12 Mar 2012 09:30:18 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.thecarioca.blog.br/The_Carioca/The_Carioca/Entradas/2012/3/12_Mijar_%C3%A9_crime_files/Foto0114.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.thecarioca.blog.br/The_Carioca/The_Carioca/Media/object002_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:234px; height:176px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Vinha eu recostada no banco de trás do carro, entrando na minha Tijuca, de volta de um longuíssimo exílio de Carnaval e, piscando os olhos - algo dopados por um remédio do qual infelizmente dependo pra não passar mal, feito uma criancinha, com as curvas da estrada - me deparei com um muro onde estava escrito, em letras garrafais de pichação:&lt;br/&gt;    “Mijar é crime”.&lt;br/&gt;    Eu ri sozinha, mais por dentro do que por fora, como é de meu costume, e voltei no tempo para antes da viagem, quando entrei num banheiro do supermercado para dar com uma porta que, na face interior, já quase não tinha nenhum espaço sobre o qual não houvesse algum, bom, texto, na falta de palavra melhor que defina os rabiscos que vi. Parei ali, por alguns instantes, e me pus a ler as “pérolas”. &lt;br/&gt;    Era uma coisa espantosa. Um aglomerado de pequenos recados, com erros de concordância e grafia, pra começar, inaceitáveis em qualquer um que tenha mais do que dez anos de idade - e com certeza os “autores” eram bem mais velhos do que isso porque nenhuma criança, mesmo a que assiste ao Big Brother, seria capaz de tal repertório de assuntos. Enfim, terrível... &lt;br/&gt;    Mas a forma não era nada perto do conteúdo. Tinha de tudo. Xingamentos contra colegas de trabalho (que dava pra ver que era de uma mulher pra outra porque, nessa modalidade, as ofensas são sempre referentes a comportamento sexual. Já viu uma mulher, do tipo beligerante, chamando a outra de “prepotente”, “insensível” ou “desonesta”? Raro. Por alguma razão, os nomes dados são sempre sinônimos da profissão mais antiga do mundo e vá se entender certas mentes femininas...), referências à anatomia alheia (e não estou falando de nada que possa ser visto numa pessoa propriamente vestida), denúncias de adultério, críticas ao modo de alguém se vestir e, o meu favorito pessoal, o desabafo de uma moça (bom eu espero que ela já seja uma moça e não uma menina em idade escolar, mas nunca se sabe...) que, em linguagem tosca, contava o seu drama pessoal: estava ansiosa para “dar” (não pergunte o quê, por favor) para o namorado mas ele não queria por achar que era pecado, antes do casamento.&lt;br/&gt;    Quase caí sentada - e isso, naquele banheiro, seria uma situação quase hospitalar. E não pela linguagem usada. Porque eu nunca, nunca vou entender quem inventou o uso do verbo “dar” nesse contexto, mas, vá lá, isso é mais velho do que eu, de modo que já me acostumei a ver por aí. Não. O que me impressionou foi a história. Onde essa menina tinha encontrado um sujeito capaz de recusar sexo por acreditar em ira divina? Nesta cidade? Nos dias de hoje? Well, milagres acontecem... Ou não, como diz, sabiamente, Caetano Veloso.&lt;br/&gt;    Sei que, de uma maneira ou de outra, me dei conta de que, desde sempre, eu venho entrando em banheiros com portas e paredes cobertas desses recados, desabafos e, até, conversas inteiras, com réplicas e tréplicas. Pessoas, enfim, de todos os tipos, querendo se expressar, marcar sua presença no mundo ou, simplesmente, fazer o que os outros também estão fazendo (pô, gente, você entra num banheiro e tem ali umas coisinhas escritas na porta então, por que não, né? Já está estragado, estragado e meio...). Nada que não tenha sido feito pelos homens das cavernas, não é verdade? É. Mas isso já tem um tempinho, certo? Agora nós temos papel e caneta. Melhor: temos a internet! E as redes sociais estão ávidas por receber as baixarias que estavam ali, tão tristinhas, no confinamento de um banheiro de supermercado. Modernizar é preciso, meu povo!&lt;br/&gt;    Por fim, respondendo à pergunta inicial (que, no muro, era uma exclamação): não, querido vândalo, “mijar” não é crime. Mas no muro é. Assim como a sua frase.&lt;br/&gt;</description>
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      <title>O Dilema de Saramago</title>
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      <pubDate>Wed, 25 Jan 2012 09:00:51 -0200</pubDate>
      <description>Eu li em algum lugar que, antes de sua morte, o escritor José Saramago disse: “vou morrer sem entender o por quê disso tudo”. Ele se referia à vida, ao mundo, à existência humana, como queira. E minha madrinha, que é uma grande fã do escritor português, diz que essa questão é bem nítida ao longo da obra dele, que ele se debatia em busca de uma razão de viver, de uma explicação melhor do que a criação de um Deus no qual ele não acreditava.&lt;br/&gt;    Saramago morreu em 2010. Talvez ele esteja em algum lugar, right now, de posse de algumas respostas para suas muitas perguntas. Talvez ele simplesmente tenha deixado de existir. Talvez, num mundo onde Matrix seja uma realidade, ele nunca tenha existido - e por esse raciocínio, tampouco eu existo e esse texto é só uma ilusão, igualmente. Mas, partindo do pressuposto de que estamos todos, de fato, aqui, vivos, uma questão se coloca. Todos queremos saber algo mais do que nossos sentidos alcançam. Seja você um Nobel de literatura ou um analfabeto de pai e mãe, algum dia, em algum momento, você parou - ou vai parar - e se angustiar diante do grande mistério, “por que estou aqui?”; ou, muito pior, quando a vida te dói profundamente (e dói, para a maioria, em mais ocasiões do que qualquer um gostaria de imaginar), “pra que tanto sofrimento?”.&lt;br/&gt;    A pergunta acontece, as pessoas tentam se resolver. Ciência, filosofia, religião, revolta, pragmatismo e uma infinidade de outras possibilidades surgem para preencher os espaços em branco. Eu já passei por quase todas as opções mas, ultimamente, quanto mais eu penso em mim mesma e na vida que tem sido a minha, mais eu me lembro da época em que eu tratei um problema de coluna praticando natação.&lt;br/&gt;    Eu tinha onze anos e muito mais problemas do que uma menina dessa idade deveria ter. Morava numa pequena cidade gaúcha na época e, por um acaso do destino, comecei a jogar vôlei num time infanto-juvenil. Nós treinávamos três vezes por semana, se bem me recordo, e aquilo foi um bálsamo na minha vida. Eu adorava os dias de vôlei, mais do que tudo. Acordava cedo e ia andando, com gelo ainda visível, no inverno, pra não perder - e isso é algo, em se tratando desta pessoa que vos fala. Depois de alguns meses, comecei a sentir dores na coluna. E eu sabia que era sério porque tomei o cuidado de não contar a ninguém e ficar esperando que a dor simplesmente fosse embora, por milagre. Não foi. E só piorava. Quando eu voltei para o Rio, meses depois, de mudança, eu mal podia ficar em pé sem chorar. Minha madrinha, a mesma fã do Saramago (muitos capítulos da minha vida com ela), que também é médica, reparou e me levou a um ortopedista. Vôlei estava fora de cogitação pra mim. Eu teria que nadar. Muito. E só usar sapato fechado, com uma palmilha dentro.&lt;br/&gt;    Não me lembro de ter reclamado e é provável que eu não tenha mesmo. Eu não reclamava de nada. Principalmente se fosse importante. Eu estava abandonando uma coisa que me dava uma alegria enorme por outra que parecia uma punição, mas eu procurava não ficar pensando muito no assunto. Diziam que eu tinha que nadar então eu nadava, esperando um dia pegar gosto pela coisa. Não peguei. Era sempre duro ter que nadar e, no inverno, era algo mais - porque a piscina do clube não tinha aquecimento.&lt;br/&gt;    Eu ficava esperando que uma gripe me salvasse, mas eu não ficava doente. Ou que alguém ficasse com pena e me liberasse de nadar no frio, mas, aqui entre nós, quem não chora não mama, e é meio difícil de ter pena de alguém que não reclama. Ou, ainda, que a aula fosse encurtada por alguma infelicidade como uma cãibra. No inverno era muito comum. Os alunos iam caindo feito moscas. Não eu. Tudo doía. Minhas células gritavam. Meu espírito se revoltava. Mas meus músculos continuavam firmes e fortes. Numa ocasião, no auge do frio e debaixo de chuva, eu nadei sozinha até o final vendo todos os que tinham tido cãibra enrolados em toalhas, do lado de fora, morrendo de ódio. Custava eu também ter uma? Custava?&lt;br/&gt;    Em outra ocasião, nadando de costas, eu trombei sem querer numa colega. Eu machuquei a cabeça e tomei um esporro monumental do professor. Nadei o resto da aula em silêncio, chorando debaixo d’água. Ninguém notou. Meus olhos vermelhos podiam muito bem ser do cloro.&lt;br/&gt;    Um bocado de tempo passou. Eventualmente, eu me livrei da piscina. Mas outras coisas vieram, como sempre vêm. E, mesmo que eu tenha mudado em tantos aspectos - eu já não tenho a mesma santa paciência dos meus doze anos e não aceito toda e qualquer coisa sem reclamar, por exemplo, o que nem sempre é uma coisa boa - eu, continuo, em essência, a menina que chora debaixo d’água e continua nadando. E, depois de muito me debater com as questões da vida e as fatalidades que já me tiraram outras tantas coisas que, como o vôlei, me fizeram sorrir, ainda que por pouco tempo, eu fico com uma resolução. &lt;br/&gt;    Se eu vim mesmo de algum lugar e vou para outro depois, se Deus existe, se alguma dor vai fazer algum sentindo, se a vida é justa, se eu fiz alguma coisa em algum tempo pra justificar a dificuldade de hoje, se alguém tem a chave para todos os mistérios do universo... Qualquer que fosse o dilema de Saramago, eu digo: não importa. Não que eu não tenha curiosidade. Mas, aqui entre nós, cheguei à conclusão de que só fica mais difícil ainda nadar se você passa todo o tempo pensando em como caiu na água ou quando e como você vai chegar na margem. Uma vez náufrago, melhor se concentrar em manter um bom ritmo de nado e uma boa respiração. De vez em quando, se for possível, dar uma olhadinha no céu azul lá no alto - porque ele vai estar sempre lá, do mesmo jeito, quer você esteja engolindo água ou se bronzeando. Todo o resto? Fica pra depois... Mas que a água, às vezes, podia ser bem menos fria pra todo mundo, lá isso podia.</description>
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      <title>Questionamentos profundíssimos</title>
      <link>http://www.thecarioca.blog.br/The_Carioca/The_Carioca/Entradas/2011/12/19_Questionamentos_profund%C3%ADssimos.html</link>
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      <pubDate>Mon, 19 Dec 2011 22:41:54 -0200</pubDate>
      <description>Eu já falei de morte nesse blog. E de maternidade. Do poder quase místico dos sonhos. Da nostalgia de uma infância e de um Rio que eu nem conheci. De família. Da realidade e da fantasia do casamento... Por último, questionei as pesquisas científicas em torno da T.P.M!&lt;br/&gt;    Mas agora o fim do ano se aproxima. Minha filha já entrou em férias escolares (o que significa que minha jornada dupla virou, tipo, quíntupla). E está calor. Tem chovido todo santo dia e, believe me, fica pior ainda depois que chove porque continua um calor do cão e fica úmido a ponto de eu começar a acreditar que sofri uma mutação e virei um réptil. E o Natal se aproxima e, Deus sabe, depois que você deixa de ser filha para ser mãe, tia, madrinha (e qualquer outra função do tipo) isso significa trabalho, trabalho, muito trabalho, correria e tensão.&lt;br/&gt;    Tá achando que eu tô de brincaderia? Pois estou falando muito sério. Porque é tudo muito mágico e lindo até alguém se dar conta de que o presente que a criança pediu na cartinha pro Papai Noel está em falta. E a criança não quer outra coisa de jeito nenhum. E a fábrica do Papai Noel não tem isso de ficar em falta. Ele tem poderes. E muitos duendes. Então a dinda aqui sai feito louca pra ajudar na busca por um tal chá das princesas. Dando graças a Deus que é só um. Podia ser bem pior. Minha filha podia querer um também... O chá foi encontrado, by the way. Ufa... Mas o crédito vai pro bom velhinho, evidentemente.&lt;br/&gt;    Enfim, entre as férias escolares, o calor, os temporais, a caça aos presentes impossíveis e os duendes, eu estou bem estafada. Me ocorreu então, apesar da crise na Europa, do efeito dominó de queda de ministros da Dilma, da imbecilidade aparentemente incansável dos alunos da USP, do noticiário repleto de mortes (é impressão minha ou os célebres estão morrendo por atacado de repente? Principalmente os ditadores... Eu se fosse o Fidel me cuidava) e da surra que o Barcelona deu no Santos, bom, apesar disso tudo, eu me pego divagando em outros pensamentos. Questionamentos, na verdade. E profundíssimos.&lt;br/&gt;    Por exemplo: quando foi que surgiu essa moda inominável, não, retiro, porque tem nome e o nome é medonho mas, enfim, quando foi que surgiu a moda das mulheres malhadoras usarem calças curtas coladas (tipo a vácuo) com meiões brancos esticados? Aquilo mata qualquer visual de qualquer mulher, por mais bonita que ela seja. Mas, tudo bem, digamos que a mulherada não ligue pra parte estética (gente, é época de Natal, vamos acreditar em fantasias...), mas e o calor?! Eu já vi esse visual rodando por aí em dia de quarenta graus. Só de ver eu comecei a me pinicar toda.&lt;br/&gt;    Outra coisa que, há anos, me perturba - nessa época do ano em especial - são os “predadores do shopping”. Sabe do que eu estou falando? Vendedores que ficam na porta das lojas e pulam (num sentido quase literal) em cima de qualquer um que faça a besteira de sequer desacelerar o passo diante da loja onde estão trabalhando. Se você fizer contato visual, então, nem sei, capaz de te arrastarem pra dentro pelos cabelos. Eu não entendo... Há anos eu vejo isso acontecer e todo mundo que eu conheço e já foi atacado jura que nunca comprou nada nesses lugares, nunca mais passou nem perto e ainda falou mal do estabelecimento pra Deus e todo mundo. Será que os vendedores não percebem que isso não funciona ou existe todo um universo paralelo acontecendo onde pessoas iguais a nós gostam de ser atacadas dessa maneira?&lt;br/&gt;    E what’s up com essa onda de frozen yogurt? Pra todo lado que eu olho na rua tem uma loja desses negócios! Eu custei muito a experimentar, inclusive, porque eu não via como isso podia ser bom. Mas, vá lá, um dia eu me rendi e fui checar qual era o grande atrativo... Continuei sem entender. Pra mim esses Yoggis da vida não passam de uma versão piorada de sorvete. E tem tanto sorvete bom nessa cidade...&lt;br/&gt;    Ai, gente, são tantos os mistérios dessa vida...&lt;br/&gt;    Por que o cabelo (horroroso) do Neymar virou moda?&lt;br/&gt;    Por que toda vez que eu passo na frente de um jornaleiro não sei se ali vendem informação ou bunda?&lt;br/&gt;    Por que nenhum eletrodoméstico hoje dura mais do que cinco anos? Minha avó teve uma geladeira que chegou a ser uma balzaquiana!&lt;br/&gt;    Por que o Roberto Carlos alisa o cabelo?&lt;br/&gt;    Por que a revista Seleções ainda existe? Alguém conhece alguém que lê isso?&lt;br/&gt;    Por que, as pessoas ainda servem travessas enormes de frutas secas no Natal sabendo que todo mundo vai atacar mesmo é o que for feito de chocolate na hora das sobremesas?&lt;br/&gt;    E, last but not least:&lt;br/&gt;    Por que, por que, por que cada ano passa mais rápido do que o anterior? Rápido a ponto de eu sequer ter tempo de registrar minha idade nova e já ir partindo para uma mais nova ainda. Talvez seja mais prático dar uma de Glória Maria daqui por diante. Eu escolho uma idade só e fico com ela... O que me leva a outro questionamento profundo... Ah, deixa pra lá, vocês não vão querer saber...&lt;br/&gt;    Merry Christma’s everybody! Oh, oh, oh.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>T.P.Ms, D.P.Ps e outros bichos</title>
      <link>http://www.thecarioca.blog.br/The_Carioca/The_Carioca/Entradas/2011/12/7_T.P.Ms,_D.P.Ps_e_outros_bichos.html</link>
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      <pubDate>Wed, 7 Dec 2011 13:55:32 -0200</pubDate>
      <description>Num determinado dia, anos atrás, eu conversava com meu amigo Alexandre Vilela (e pra quem acompanha meu blog, e sabe que meu marido se chama Alexandre também: gente, tem milhões de Alexandres na minha vida. Um outro amigo Alexandre, o Rodrigues, da faculdade, uma vez até falou que deve ter havido alguma novela com um personagem desse nome na nossa geração, tal o número de Alexandres à volta). E, não sei bem por que, talvez porque eu estivesse sofrendo do mal na ocasião, mas eu falei sobre minhas opiniões a respeito de Tensão Pré-menstrual. &lt;br/&gt;    Pra começar, eu discordo profundamente de tudo o que se diz por aí sobre T.P.M. A começar pelo nome: não é “pré-coisa-nenhuma”. É durante. Você pode até ter algum desconforto um dia ou dois antes do evento em si, mas o pior mesmo acontece durante. E não é o que se fala nesses artigos  de revistas cretinos, com o perdão do termo, escritos muitas vezes por homens ou mulheres teleguiadas por pesquisas científicas que ficam sendo derrubadas por outras pesquisas ano sim ano não. Sobretudo, me irrita profundamente que o principal sintoma identificado por aí com TPM seja, justamente, irritação. Como se algum hormônio maluco por si só fosse deixar um bando de mulheres irritadas sem nenhuma outra razão. E isso é ridículo. Eu, por exemplo, raramente me irrito durante o período menstrual (provavelmente porque eu não sou uma pessoa que se irrita facilmente e, por incrível que pareça, uma mulher continua sendo ela nesse momento), mas, quando acontece, é porque eu já estou farta dos sintomas físicos e das oscilações bruscas com as quais nós temos que lidar entra mês sai mês, por décadas.&lt;br/&gt;     Sem brincadeira, um mês na vida de uma mulher, após a puberdade, é a perfeita metáfora dos altos e baixos da vida em si. Em versão supersônica. Nesse período, com sorte, você se sente perfeitamente bem, bonita e leve, pra depois, do nada, começar a se achar uma coisa horrível, inchada, abatida e gorda. Não, sem brincadeira, parece mesmo que você engordou uns cinco quilos da noite pro dia. E não adianta beber litros de água, colocar quilos de maquiagem e trocar de roupa vinte vezes antes de sair. Você está feia mesmo e a única coisa que vai resolver essa situation é a passagem de alguns dias. Ah, sim, ainda tem uma coisa. Bom, umas coisas: dor de cabeça, cólica, gases e por aí vai. E isso numa mulher que toma, de forma bem sucedida, anticoncepcional. Não gosto nem de lembrar o que é a vida sem.&lt;br/&gt;    Ok, ok, eu admito que deve existir uma mulher por aí que não sente nada disso. A gente ouve falar, né? Deve ser a mesma que conta que a primeira transa foi ótima e que o parto normal não doeu nada. Ah, e a mesma que não tem celulite, nunca viu uma estria e é ninfomaníaca o tempo todo - mesmo quando não dorme há três dias, está com a conta no negativo e o marido chega em casa cheirando a sovaco. Eu conheço uma assim. Ela mora na esquina do arco-íris, entre a casa do Papai Noel e a toca do Coelho da Páscoa.&lt;br/&gt;    E a mesma coisa, pra mim, é a tal da Depressão Pós Parto. Um mito. Quer dizer, não que depressão clínica não exista. Ela é muito real. Uma doença das piores. Já presenciei muitas vezes em outras pessoas e, por motivos muito pessoais, acho que pouca gente nesse planeta respeita tanto as doenças da mente quanto eu. Mas eu discordo da classificação que identifica um certo tipo de depressão como sendo causada por hormônios ligados à gestação. Eu acreditava antes de ser mãe, veja bem, porque eu também leio as baboseiras que saem nos jornais e, às vezes, eu até acredito. Mas minha crença não resistiu à minha experiência em primeira mão. &lt;br/&gt;    Se eu fiquei deprimida depois de ter minha filha? Claro que fiquei. E toda mãe que cuida de verdade do bebê fica também. Assim como os pais. Os avós. A babá. E qualquer outra pessoa de carne e osso que entre pra valer na roda viva. Pra traduzir melhor, vou dizer exatamente o que eu disse a alguns amigos quando minha filha tinha alguns meses de vida sobre D.P.P:&lt;br/&gt;    “Pega um homem, aumenta o peso abdominal dele umas cinco vezes todo mês, faz ele enjoar e ter azia até não aguentar mais. Depois corta a barriga dele, tira esse peso todo de uma vez só e costura. Daí manda ele pra casa e põe um dispositivo pra acordar ele pelo menos a cada duas horas com berros. Não deixe ele dormir quando tem sono, comer quando tem fome, beber quando tem sede ou fazer xixi quando tem vontade. Te garanto que em uma semana ele vai querer se matar. E não existe nenhum hormônio envolvido nisso.”&lt;br/&gt;    Existe doença psiquiátrica que aparece especificamente após o nascimento de um bebê? Evidente que sim. Mas não por causa de hormônio. Por causa do choque. Doenças da mente tendem a se manifestar após alguma situação traumática e, acredite, apesar de todo o “blá blá blá” sobre a plenitude da maternidade (e é verdade mesmo) poucas coisas são mais traumáticas do que ter um filho. Tudo dói. Inclusive o amor que você sente por ele. Dói tanto que tem gente que não aguenta e surta. E ninguém tem que ser mulher pra estar exposto a isso. Basta ser Homo sapiens.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
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